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Como fugir de golpes de investimento financeiro

Falsos consultores prometem retorno financeiro rápido e garantido a fim de tirar vantagem dos investidores. Veja como se prevenir.

Golpes financeiros sempre existiram, mas na era digital tornaram-se mais elaborados e exigem atenção redobrada dos investidores, sobretudo daqueles que são ou pretendem atuar como  day traders

Com o aumento do interesse dos brasileiros pela Bolsa de Valores, essa categoria também tem sido alvo desse tipo de crime.

O day trade é uma modalidade de investimento ágil: as operações são abertas e fechadas no mesmo dia. Quando bem sucedidas, podem ser sinônimo de alto retorno financeiro. 

No entanto, o sucesso dessas operações requer conhecimento e informação, caso contrário, o trader – como é conhecido o investidor que atua no day trade – pode ter prejuízos.

De acordo com a B3, o Brasil tem hoje 3,2 milhões de pessoas físicas cadastradas na Bolsa de Valores. O número é 45% maior do que o total verificado em 2019. 

Paralelamente, os criminosos têm criado artimanhas para atrair esse público, composto por muitos iniciantes.

Tem sido comum as promessas enganosas de aplicações que têm “garantia de alto retorno financeiro em pouco tempo”. 

Essa é a estratégia de golpistas para oferecer cursos de day trade, fórmulas de sucesso e métodos milagrosos que desconsideram que todo e qualquer investimento tem risco.

Conhecer o mercado, os tipos de investimentos e buscar orientação por meio de canais oficiais e consultas com especialistas certificados são as principais formas de prevenção contra esses tipos de crimes.

Golpes são aplicados em todo o Brasil

Alguns golpes financeiros tiveram grande alcance, prejudicando vítimas de diferentes localidades do país. 

Em março deste ano, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) deflagraram a operação “Black Monday”, responsável por desarticular uma organização criminosa envolvida em esquema de pirâmide financeira.

De acordo com a assessoria do MPMG, a investigação teve início em maio de 2020, a partir de indícios dos sites “Investing Brasil” e “Aprenda Investindo”. 

Centenas de pessoas foram vítimas do golpe. Elas efetuaram transferências bancárias para investirem, mas eram direcionadas a uma plataforma falsa. 

Animadas com os falsos lucros obtidos nas primeiras “operações”, as vítimas continuavam transferindo o dinheiro, que era desviado pelos criminosos. 

A estimativa do MPMG é que o prejuízo dessas pessoas chegue próximo a R$ 60 milhões.

Com o apoio do Ministério da Justiça e de autoridades de outros estados, a operação culminou em 29 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão em cinco estados brasileiros.

Em julho, outro golpe foi destaque na imprensa nacional. A Polícia Civil do Rio de Janeiro pediu a prisão de três empresários que teriam feito a promessa de investimento com retorno financeiro rápido. 

Vítimas de diferentes localidades do país eram convencidas a entregar as economias que tinham com a proposta de receberem 4% de lucro por mês. 

Quando a pessoa não tinha recursos, ela era incentivada a realizar um empréstimo. 

Como se prevenir

A primeira orientação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) para quem quer investir é estudar o mercado e os investimentos. 

Assim, é sabido que qualquer operação implica riscos e pode-se avaliar a sua tolerância a eles. Logo, é necessário desconfiar de quem oferece “retorno financeiro garantido”.

Promessas de alta lucratividade e oferta de “técnicas infalíveis para investir” também merecem um sinal de alerta. 

O sucesso dos investimentos é construído no dia a dia com conhecimento, informação correta e estratégia.

É recomendável checar se a instituição financeira está registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Nos sites da B3 e da Anbima também é possível consultar informações sobre as empresas autorizadas. 

Já a Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) informa a situação dos profissionais do setor financeiro, ajudando na identificação de falsos gurus de investimento.